Transmissor QRP AM para os 40 metros
O Porvinha, como
o nome diz é um "transmissorzinho" QRP para faixa de 40
m tão pequeno quanto aquelas moscas de frutas! O circuito
todo, sem a fonte pode ser alojado em uma caixa realmente muito
pequena, sem grandes esforços.
O VFO é baseado
em um artigo de Louis Facen, HB9HW, entitulado "O Alfinete", publicado
na revista Antenna - Eletrônica Popular em agosto de 1981,
numa configuração de oscilador Colppits utilizando
transístores de efeito de campo JFET tipo N BF245C e os
segredos para a estabilidade de freqüência estão na
utilização de capacitores de boa qualidade (mica
prateada ou styroflex) na etapa osciladora onde marcado com um
asterisco (*).
Outro ponto que
contribui com a estabilidade é a utilização
de um buffer com JFET acoplado ao oscilador por meio de capacitor
de baixa capacitância, o que evita que uma mudança
de carga nos estágios posteriores modifique a freqüência
de oscilação.
O diodo zener
utilizado também contribui para a estabilidade de freqüência
e ausência de modulação em freqüência provocada
por queda de tensão da fonte nos picos de corrente do modulador.
O trimpot de 470R
no coletor do transístor BC337 do VFO ajusta o nível
de RF entregue ao excitador. Isto é muito útil para
evitar uma sobreexcitação e consequente irradiação
de espúrios.
A bobina marcada
com três asteriscos (***) na realidade é um microchoque
de 470uH, ou pode ser enrolada com quantas espiras couber de fio
#36 ou #34 sobre um resistor de 1M / 2 W de carbono (não
utilizar resistor de fio em hipótese alguma).

Figura 1 - Circuito VFO
O excitador é composto por
um BC337 e um BD135, que não necessita de dissipador, a
não ser que, caso necessite mais excitação,
você modifique o resistor ligado no coletor, diminuindo sua resistência,
aumentando a corrente e potência do excitador. Após esta
modificação, provavelmente deve-se colocar um pequeno
dissipador de alumínio no transístor excitador.
O circuito amplificador
final pode ser montado utilizando vários tipos de transístores,
entre eles o MRF455, 2SC1969, 2SC1226 e outros sem grandes modificações,
a não ser no lay-out do circuito impresso. O transístor
utilizado deve ser montado em radiador de calor com aletas saindo
da caixa, para que ocorra uma melhor troca de calor por convecção.
O diodo retificador
colocado em série com a linha de +B TX foi especificado
para o transístor 2SC1969 e não para o MRF 455 como
indica o diagrama. Para este último, em vista de seu grande
consumo deve-se utilizar um diodo de maior corrente direta ou
associação de diodos em paralelo. Uma sugestão
é a utilização de dois diodos 6A4 em paralelo
ou um SKB12/02.
Os capacitores
marcados com dois asteriscos (**) devem ser de cerâmica
e alta isolação (500V) para evitar aquecimento devido
a alta energia de RF presente nestes pontos.

Figura 2 - Circuito excitador e saída de RF
O circuito modulador com o
CI TDA2002 é capaz de modular um MRF455 na saída
de RF e deve ser dotado de radiador de calor de boa superfície,
assim como o transístor de saída de RF. O microfone
utilizado é uma simples cápsula de eletreto de dois
terminais, ou três terminais com os terminais de alimentação
e saída ligados juntos. O potenciômetro de 10k deve
ser logarítmico e controla o nível de modulação
da transmissão.
O transformador
de modulação pode ser enrolado em núcleo
de ferro silício aproveitado de trafos de alimentação,
ou saída vertical de TV. O enrolamento é constituído
de 200 espira de fio #20 para o transístor 2SC1969 na saída
com derivação para o modulador na espira de número
87 contada a partir do +B Mod. Para o MRF455 na saída,
utilizar fio #16 ou #18 e mesmo número de espiras.

Figura 3 - Circuito modulador
Uma sugestão de chaveamento
entre TX/RX/Sintonia é apresentada, sendo que os contatos
do relê devem suportar as correntes que circularão por
eles, assim como os contatos das chaves.
Figura 4 - Chaveamento TX/RX/Sintonia
Abaixo segue uma tabela para o enrolamento das
bobinas e choques.
|
Bobina
|
Descrição
|
|
L1
|
16 espiras juntas de fio #26 em forma de 1/4" de diâmetro
com núcleo de ferrite ajustável
|
|
L2
|
36 espiras juntas de fio 22 sobre forma de 3/16" de diâmetro
sem núcleo
|
|
L3
|
33 espiras de fio 28 enrolados em núcleo toroidal
com 10mm de diâmetro e 3mm de altura (encontrado em
Boosters Amplimatic)
|
|
L4
|
36 espiras juntas, sem núcleo, com fio de bitola
que suporte a corrente exigida pelo transístor de
saída. MRF455 - fio #16 2SC1969 - fio #20
|
|
L5
|
11 espiras de fio #18 enrolamento auto suportado com diâmetro
de 3/8" e comprimento 1"
|
|
T2
|
Transformador composto de duas bobinas, sendo o primário
composto de 18 espiras de fio #26 sobre forma de 1/4"de
diâmetro com núcleo de ferrite e secundário
4 espiras de fio #22 sobre o lado frio do primário.
|
Um bom procedimento de montagem é construir
etapa por etapa e testá-las independentemente antes de
passar à próxima. Isto garante que você consiga
o ajuste de cada etapa sem confusão e sem perigo de queima
do transístor de saída de RF.
A montagem em
quatro placas distintas é uma boa solução.
Uma com o VFO, outra com os dois transístores excitadores
(BC337 e BD135), uma com o transístor de saída de
RF e por fim, outra para o modulador.
Assim, monte o
VFO, alimente-o com uma fonte de 12 volts e verifique se ele oscila
na freqüência desejada. Caso não obtenha a oscilação
na freqüência esperada, modifique o número de espiras
da bobina L1 para que a freqüência central de operação
seja gerada quando o variável estiver aberto 50%.
Pronto o VFO,
passa-se ao excitador. Acople-o ao VFO, conecte uma lâmpada
de 6 volts 150mA na saída do BD 135, depois do capacitor
de 2,2nF até o terra e alimente os dois circuitos com uma
tensão de 12 volts. Provavelmente você verá um certo
brilho na lâmpada. Ajuste então o potenciômetro
do VFO e núcleo de T2 até encontrar o maior brilho
na lâmpada e a melhor portadora em um receptor próximo,
atentando para a verificação da freqüência
emitida que deve estar dentro dos 40m. Todo o transmissor funciona
na freqüência fundamental. Um ondâmetro de absorção,
um freqüencímetro e um osciloscópio para pelo
menos 20MHz facilitam bastante o trabalho! Isso não significa
que você não atingirá êxito na montagem, com um
multímetro e uma lâmpada piloto!!!
Passe então para
o estágio final, lembrando que nunca se deve alimentar
um circuito de transmissão de potência transistorizado
(e nem valvulado!) sem que este esteja conectado a uma carga de
impedância igual à de sua saída, com risco
de sérias avarias no estágio em questão.
Isso significaria a queima do transístor final sem você
ter tempo de pensar no que houve!!!
Esta carga pode
ser no caso do MRF455 uma lâmpada de 25W ou 40 W / 127V
(nunca uma lâmpada de 12 volts) ou melhor ainda uma carga
"fantasma" resistiva juntamente com um wattímetro de RF
que irá indicar a quantidade de RF presente na carga. Esta
última disposição, um osciloscópio
e um freqüencímetro seriam novamente de inestimável
ajuda nos ajustes!!!
Depois de devidamente
"carregado" o amplificador final, aplicar excitação
no mesmo, alimentando o VFO e excitador e alimentar o coletor
do transístor de saída com 12 volts, ajustando a
separação das espiras do tanque final e o ajuste
de T2 para a máxima saída sem distorções
e na freqüência desejada.
Depois de prontas
as etapas de RF, passa-se ao modulador, que pode ser testado utilizando-se
um alto falante no lugar do transformador de modulação
entre o negativo do eletrolítico e o terra para monitorar
a modulação com o eletreto.
Estando tudo funcionando,
certifique-se de que sua antena esteja cortada para a freqüência
de trabalho e com estacionária menor que 1:1,5 para um
perfeito casamento e menor aquecimento do transístor de
saída. Aí é só ligar a chave e mandar
bala!!!
Boa sorte e bons
QSO's em QRP com a turma dos 40!